O Brasil pelas lentes de um grande fotógrafo

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De origem austríaca, o fotógrafo Felix Richter faz uma ode ao Brasil nas imagens de seu lindo livro. Leia mais sobre ele nas palavras do autor.

“Nos últimos vinte anos, dediquei grande parte de meu tempo a fotografar o Brasil. Assim, seria natural imaginar que este livro é um resumo dessas duas décadas, mas não poderia ser, pois o tempo também passa para as paisagens, principalmente para as urbanas, que se modificam no correr dos anos. Com exceção das fotos da Amazônia e do Pantanal, essas sim representando um longo e exaustivo trabalho de registrar animais raros em momentos de luz singular, as imagens deste livro são, na grande maioria, inéditas, mostrando o Brasil de hoje, mesmo no capítulo Brasil Colonial, quando o assunto é o Brasil de ontem.

É difícil retratar um país de dimensão continental em somente 96 páginas, mas, de tanto visitar os quatro cantos do Brasil, tenho hoje um noção apurada da representatividade de cada singularidade brasileira na composição da identidade nacional. Por essa razão, este livro não deve ser visto como um resumo do país, mas como uma coletânea de fotografias que destaca as principais características brasileiras. Subdividi o livro em seis capítulos: Brasil Colonial – mostrando exemplos da riqueza do período colonial; Rio de Janeiro – retratando a mais famosa cidade do país; Brasil das Águas – um resumo de três santuários da natureza: Amazônia, Pantanal e Iguaçu; Brasília – a capital; São Paulo – principal centro financeiro; Brasil das Praias – com imagens singulares, representando os quase dez mil quilômetros de costa.

Do ponto de vista fotográfico, visei uma composição que retratasse a abundância das cores brasileiras e a marcante presença da luz solar nas paisagens de um país tropical. As fotos não seguem uma linguagem específica, pela simples razão de eu não acreditar na linguagem fotográfica: a fotografia é uma arte em construção, ainda pouco definida, na qual o desnorteio impera nos conceitos em formação. Aquele que, nos dias de hoje, desenvolve uma linguagem fotográfica própria e a ela se prende , na verdade, demonstra desistir do processo fotográfico, que vive um momento de grande experimentação. A todos os apaixonados pela fotografia, digo de coração: experimentem, experimentem e experimentem, sendo importante destacar que ter conhecimento técnico é a base de qualquer experimento. A fotografia, num passado próximo, restringiu-se a ser documento e registro. Hoje, antes de ser arte, é uma paixão compartilhada por bilhões em todo o planeta e uma importante ferramenta de manifestação, principalmente nas redes sociais. A forma como fotografamos o entorno revela a nossa visão individual do mundo. Assim, apresento, neste livro, minha visão particular do Brasil.”

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Sobre a Anna Ramalho

Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense, é colunista e cronista. Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 33 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”. Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.

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