Para recordar uma aventura

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Ficção e crítica, biografia e ensaio, Frei Gaspar de Carvajal volta aos rios, de Bernardo de Mendonça, o novo lançamento da Graphia, relembra a viagem de Mário Palmério (1916-1996) pela Amazônia entre 1978 e 1986 a partir da leitura de depoimentos a repórteres e de seus diários – até hoje inéditos – por um jornalista que, por sua vez, também recorda sua atividade na imprensa censurada da ditadura militar. Cervantes, Daniel Defoe, Gonçalves Dias, Guimarães Rosa e Machado de Assis também são participantes desta aventura, através de um diálogo literário que a própria história e o seu protagonista propõem.

Autor de Vila dos Confins e Chapadão do Bugre, Mário Palmério, sucessor de Guimarães Rosa na Academia Brasileira de Letras, foi, além de romancista de grande sucesso, não só fazendeiro em Minas e no Pantanal, deputado federal, embaixador, professor de Matemática e fundador da Universidade de Uberaba,  mas também, como ele mesmo se classifica e o relato de sua experiência demonstra, “um grande vivedor”.

Entre os 60 e os 70 anos de idade, largou tudo e partiu sozinho para Manaus. Lá, projetou e construiu um barco não só para navegar pelos rios e igarapés mas viver. Junto do apelido bem mineiro de “sobradão”, batizou-o oficialmente de Fray Gaspar de Carvajal, uma homenagem ao cronista da travessia do rio Amazonas, da nascente nos Andes até a foz no Oceano Atlântico, por meia centena de espanhóis, sob o comando de Francisco de Orellana, entre 1540 e 1542 - a primeira de que se tem notícia.

O barco dispunha de sala de música com piano de cauda, biblioteca com seis mil livros, sete suítes confortáveis, garagem para um bugre e até canil e galinheiro, além de sistema, então inovador, de iluminação e aquecimento de água por energia eólica e solar. Navegou pelos lugares mais remotos e virgens da Floresta Amazônica e recebeu visitantes ilustres como Tancredo Neves, que lá esteve durante a campanha à presidência da República, junto com uma caravana de artistas e intelectuais. Sobre os oito anos de Amazônia, restam apenas o diário inédito e o que disse aos jornalistas que o procuravam, pois Palmério nada mais publicou até o fim da vida.

 

Sobre o autor

Bernardo de Mendonça nasceu na praia da Avenida, em Maceió, em 1950. Trabalhou em redações do Rio e São Paulo, de 1969 a 1985: Última Hora, Veja, O Jornal, Opinião, Jornal da República, Rede Globo de Televisão. E também, por oito anos, no serviço público federal, desligando-se em 1988. Publicou Legendas para cem fotos imaginárias – Narração de um gol, O livro diverso: a peleja dos falsários, Romance da Onça Dragona, Jogo de Adivinhar Bicho Invisível, Os fantasmas tropicais e Comparsas

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Sobre a Anna Ramalho

Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense, é colunista e cronista. Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 35 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”. Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.

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