O oásis pleno e profundo de Bethânia

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Por Luís Pimentel

Parece que quando Maria Bethânia canta o mundo faz silêncio. Sempre tive essa impressão. Talvez seja porque, quando ponho seu disco, fecho portas e janelas. Para ficar só eu e ela. Por isso prefiro o CD ao show, onde temos que dividi-la com muita gente. Às vezes parece que Bethânia canta para o mundo (que somos nós), quando solta a voz com a força nada estranha que nos acostumamos a ouvir, há tanto tempo. Às vezes, parece que canta só para ela (que somos nós), quando puxa a respiração para dentro. E os olhos (imagino) buscam alguma coisa entre as mãos e a testa.

Este novíssimo CD, “Oásis de Bethânia” (Biscoito Fino), dessa sempre comovente cantora brasileira, é assim: pulando da contenção suave de “Lágrimas” (Cândido das Neves) à explosão quase dramática de “O velho Francisco” (Chico Buarque), passando como quem passeia pela estradinha entre Cachoeira e Santo Amaro, cantando e quase recitando para os passarinhos: “Não mexe comigo que eu não ando só”, da canção de Paulo César Pinheiro (“Carta de amor”), que corre embalada em poema da própria Maricotinha de Dona Canô. Coisa linda. Não mexe com ela.

Além de PC Pinheiro e Chico Buarque, a cantora revisita criações de outros compositores de sua estima, como Roque Ferreira, Djavan e Jota Veloso, além de regravar um clássico de Marino Pinto. Craque também em selecionar seus acompanhantes em estúdio, Bethânia monta uma infantaria de  músicos capaz de garantia o melhor.

Oásis, para os dicionários, é um lugar aprazível, em contraste com outros que não o são. Chegando num momento em que a música brasileira nada de braçadas, repleta de bons lançamentos (Gal Costa, Moyseis Marques, Rosa Passos, Sergio Dumond e Joyce Cândido entre eles), o disco de Bethânia não contrasta com nada, e muito provavelmente não é essa a sua intenção. Apenas marca território, dentro de um terreno onde essa que é uma das maiores intérpretes de nossa música, em todos os tempos, sempre lavrou na linha de frente: o do bom gosto e da excelência artística.

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Sobre a Anna Ramalho

Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense, é colunista e cronista. Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 35 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”. Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.

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