Moyseis Marques
Por Luís Pimentel
Melhor cantor de sua geração, o mineiro por descuido e carioca por adoção Moyseis Marques mostrou na Lapa dos grandes sambistas que o samba tem várias traduções: “pode ser sincopado ou um samba canção”, pode entrar na roda para tocar um ijexá, deve ter inspirações que passeiem sem ressentimentos por outros gêneros musicais, desde que não deixe, em momento algum, de provar “o lado bom da incerteza”. Em seu terceiro CD (os anteriores são "Moyseis Marques" e "Fases do Coração"), “Pra desengomar” (Biscoito Fino) o artista mostra porque recebe tanto carinho e admiração dos que acompanham sua carreira, merece a atenção de uma boa gravadora e justifica capas de cadernos culturais dos grandes jornais. Faz um disco para encantar e ficar (arrisco dizer que já é forte candidato a melhor CD do ano). Moyseis mostra agora também, nessa obra inteiramente autoral, que é um compositor de recursos próprios e versatilidade de encher os olhos, autor de letras nas asas das quais voa para o time dos craques do ramo, que comovem e agradam a quem as escutam, que “tocam no coração”. As participações especialíssimas de amigos e parceiros, como Moacyr Luz, Áurea Martins, Ana Costa e Leila Pinheiro, dos músicos e arranjadores que colaboram com ele, cobrem o disco de profissionalismo e merecido apreço. É um prazer enorme ver, ouvir e acompanhar o trabalho vigoroso e melhor a cada dia de Moyseis Marques, um artista jovem e admirável.


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