Na Estante

Pra desengomar

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Moyseis Marques

Por Luís Pimentel

Melhor cantor de sua geração, o mineiro por descuido e carioca por adoção Moyseis Marques mostrou na Lapa dos grandes sambistas que o samba tem várias traduções: “pode ser sincopado ou um samba canção”, pode entrar na roda para tocar um ijexá, deve ter inspirações que passeiem sem ressentimentos por outros gêneros musicais, desde que não deixe, em momento algum, de provar “o lado bom da incerteza”. Em seu terceiro CD (os anteriores são "Moyseis Marques" e "Fases do Coração"), “Pra desengomar” (Biscoito Fino) o artista mostra porque recebe tanto carinho e admiração dos que acompanham sua carreira, merece a atenção de uma boa gravadora e justifica capas de cadernos culturais dos grandes jornais. Faz um disco para encantar e ficar (arrisco dizer que já é forte candidato a melhor CD do ano). Moyseis mostra agora também, nessa obra inteiramente autoral, que é um compositor de recursos próprios e versatilidade de encher os olhos, autor de letras nas asas das quais voa para o time dos craques do ramo, que comovem e agradam a quem as escutam, que “tocam no coração”. As participações especialíssimas de amigos e parceiros, como Moacyr Luz, Áurea Martins, Ana Costa e Leila Pinheiro, dos músicos e arranjadores que colaboram com ele, cobrem o disco de profissionalismo e merecido apreço. É um prazer enorme ver, ouvir e acompanhar o trabalho vigoroso e melhor a cada dia de Moyseis Marques, um artista jovem e admirável.

Fellini: uma receita de sucesso

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Quando os restaurantes a quilo do Rio ainda se limitavam a servir comida simples e sem maior expressividade, uma simpática casa no Leblon começava a chamar a atenção com um cardápio diferenciado e saboroso. Há 18 anos, na esquina das ruas General Urquiza e Professor Artur Ramos, o Fellini foi um dos primeiros restaurantes a quilo da cidade a introduzir ingredientes sofisticados como ostra, escargot e lagosta em seu bufê. Também foi pioneiro em servir comida japonesa a quilo e o primeiro restaurante do Rio exclusivo para não-fumantes, uma década antes da exigência ser definida por lei.
Essas e muitas outras curiosidades sobre o restaurante estão no livro ‘Fellini - uma receita de sucesso’, que será lançado em comemoração aos 18 anos do Fellini, hoje parte da história do Leblon. Escrito pela jornalista Maria Helena Esteban, o livro relata a trajetória de um empreendimento que, em seu primeiro ano de funcionamento, servia em média 70 refeições por dia e que hoje serve 800 refeições diárias. A publicação traz, ainda, 29 das melhores receitas do Fellini.

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O Brasil pelas lentes de um grande fotógrafo

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De origem austríaca, o fotógrafo Felix Richter faz uma ode ao Brasil nas imagens de seu lindo livro. Leia mais sobre ele nas palavras do autor.

“Nos últimos vinte anos, dediquei grande parte de meu tempo a fotografar o Brasil. Assim, seria natural imaginar que este livro é um resumo dessas duas décadas, mas não poderia ser, pois o tempo também passa para as paisagens, principalmente para as urbanas, que se modificam no correr dos anos. Com exceção das fotos da Amazônia e do Pantanal, essas sim representando um longo e exaustivo trabalho de registrar animais raros em momentos de luz singular, as imagens deste livro são, na grande maioria, inéditas, mostrando o Brasil de hoje, mesmo no capítulo Brasil Colonial, quando o assunto é o Brasil de ontem.

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A galeria do Menescal

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Roberto Menescal, Grupo BeBossa e Wanda Sá

Por Luís Pimentel

Capixaba mais carioca que a bossa nova revelou, Roberto Menescal é um dos maiores instrumentistas da música brasileira (a sobrevivência artística pós-bossa confirma), tanto que foi professor de violão de muitos craques. Também bom compositor, de obra construída em parceria com mestres como Ronaldo Bôscoli, Paulo César Pinheiro e Chico Buarque, entre outros, o bom e velho Menesca arranja, produz, dirige, organiza, canta e acho até que dança e representa. Agregador de talentos e faro fino para sons (experiência adquirida, provavelmente, nos anos passados como executivo de gravadoras), ele está sempre inventando moda. E a última invenção é um disco em que une o seu talento ao da eterna parceira e amiga Wanda Sá, além do grupo vocal BeBossa, para homenagear a tradicional Galeria Menescal, onde o próprio morou exatamente no tempo em que ajudava o barquinho da bossa nova a se lançar do Arpoador para o mundo.  Peças de resistência do movimento ou do compositor, como “O barquinho” , “Rio” e “bye bye, Brasil” estão presentes – sempre bem arranjadas e bem cantadas, na medida da batuta do grande mestre.

Napoleão Bonaparte e a Vingança em Paris

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Uma das figuras históricas mais fascinantes de todos os tempos, Napoleão Bonaparte seduz historiadores e pesquisadores há séculos. Livros sobre o gênio militar somente perdem, em números, aos dedicados a Jesus Cristo. O fato chamou atenção de Steve Berry, que na última década vem consistentemente construindo uma reputação como um dos mais bem sucedidos escritores de thrillers da atualidade. Depois do sucesso de A profecia Romanov e A sala de âmbar, entre outros, ele retorna com mais uma trama de tirar o fôlego. Baseado em pesquisas históricas, mas com boa dose de imaginação, VINGANÇA EM PARIS é um mergulho nos mistérios napoleônicos: um homem que tentou conquistar o mundo, espalhou terror por Europa e Rússia, quando finalmente capturado, foi simplesmente exilado em Elba. Ao escapar, novamente foi preso, desta vez na ilha de Santa Helena. Por que simplesmente não o mataram? Mesmo derrotado, Napoleão comandava grande respeito. O que estaria por trás disso? Existia mesmo algum tesouro escondido por Bonaparte? Estaria codificado em seu testamento? Cotton Malone, ex-agente do Departamento de Justiça Americano e negociante de livros raros, está prestes a descobrir. Mas seu trabalho de pesquisa é interrompido quando é surpreendido, em sua livraria em Copenhague, por um homem do serviço secreto americano... seguido por dois assassinos. Apesar de desconfiado, Malone acaba ajudando o jovem. E o leva ao encontro de seu amigo Henrik Thorvaldsen. O astuto magnata tem conhecimento de uma conspiração de multimilionários decididos a manipular a economia global. Apenas descobrindo os planos de um terrorista, frustrando um atentado catastrófico e empreendendo uma busca desesperada pelo tesouro perdido de Napoleão, Malone poderá evitar a anarquia econômica internacional. Da Dinamarca até as ruas de Paris, passando pela Inglaterra, nosso herói participa de um intenso jogo de intriga e duplicidade.

 

VINGANÇA EM PARIS (The Paris vendetta)

Steve Berry

Tradução de Daniela de Oliveira

Grupo Editorial Record/Editora Record 532 páginas Preço: R$ 49,90

Um estudo sobre os idosos em tempos de Facebook

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Nem a juventude sabe o que pode, nem a velhice pode o que sabe. A frase de Saramago cabe como uma luva num mundo onde o envelhecimento da população é uma realidade. Juventude e velhice se interpenetram e se interdependem, completando-se em um movimento permanente, como uma roda de orações budista. Em NOVOS VELHOS, a jornalista Léa Maria Reis fala sobre a nova terceira idade, com mais qualidade e cerca de vinte, trinta anos de sobrevida. Com atividades e novos interesses.

Analisa, ainda, os problemas que tal fato acarreta para as políticas de bem estar públicas. Na Alemanha, por exemplo, uma em cada duas meninas viverá até os cem anos. O governo terá como prover verbas para uma previdência digna? E ainda poderá continuar a investir na educação de qualidade?  Quem pagará a conta? As respostas para essas perguntas são mostradas aqui. Mais: Léa revela os perigos do aumento de idosos sem uma política social forte e consolidada. Léa nos explica o fenômeno do crescente envelhecimento da população ocidental, o contextualiza e disseca. Não envelhecemos como há duas gerações. Mais do que uma mudança, houve uma ruptura do comportamento conservador e valores cultuados foram para o lixo. Os novos velhos são ativos, sejam em que substrato social. Exercem a cidadania e votam. São produtores e consomem. Atuam, representam, circulam, decidem, participam e agem. A idéia é mostrar como os velhos se vêem e como são percebidos através — ou apesar — dos falsos mitos e do marketing enganoso. NOVOS VELHOS revela como os idosos se inserem, ou são marginalizados, nesse mundo vertiginoso de agora. O universo dos screen touch, cartões, Facebook e outras mídias sociais. Um livro essencial, um elogio à maturidade, que defende a passagem do tempo como conquista da experiência.

Léa Maria Reis é jornalista e  autora de, entre outros, Porto Seguro - Sul da Bahia, da trilogia Maturidade, Além da idade do lobo e Cada um envelhece como quer (e como pode).

 

NOVOS VELHOS

Léa Maria Reis

Editora Record

224 páginas

Preço: R$ 34,90

De cara

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Mig Martins

Por Luís Pimentel

O suíngue indiscutível do violonista, guitarrista e compositor Mig Martins, aliado à inventividade de algumas letras, recomendam o seu CD de estréia, “De cara” (Multifoco). A voz do artista é de curto alcance, mas os arranjos delicados e na medida para a embocadura de quem está interpretando as canções – além da presença em estúdio de músicos do gabarito de João Bittencourt, Chico Oliveira ou Maurício Calmon – ressalta o trabalho de Mig. Embora “fã confesso dos roqueiros Santana, Jeff Back e Frank Zappa”, como diz o seu material de divulgação, é em melodias suaves e letras bem elaboradas, como a gostosa “Eu queria ser o mar”, que o “De cara” se encorpa.

Sergio Dumont

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Por Luís Pimentel

Bom cantor, músico refinado e compositor que trilha o caminho das melhores influências (João Bosco e outros mineiros estão entre elas), Sergio Dumont marca a sua estréia no mercado fonográfico fincando o pé direito. Suas canções são gostosas e inspiradas (em texto de apresentação, o compositor Aldir Blanc diz que “o trabalho de Sergio Dumont faz bem e renova minha vocação”), com letras delicadas e melodias que dão conta do recado. Quase todas as músicas são suas, abre exceção apenas para uma parceria que une Alexandre Loro, Daniel Figueiredo, Leo Shanty e Luciana Browne (“O nosso destino”) e para uma regravação de “La vie em rose”, de Edith Piaf. Tem participações especiais de Flávio Venturini – também responsável pela produção musical do CD – e de Jane Duboc, exuberante e linda na música “Realeza vulgar”, de Sergio. Contato com o artista: www.sergiodumont.com.

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Crônica da Semana

Confete e serpentina: a hora é essa Confete e serpentina: a hora é essa por Anna Ramalho Dia desses uma amiga do Facebook fez um comentário que realmente curti – como é de lei naquele espaço criado por Mark Zuckerberg e que todos ( ou quase todos) freqüentamos alegremente. Dizia ela que é pura ranzinzice dos mais velhos implicar com os blocos que invadem o Rio de Janeiro nesses dias de folia, que afinal nós, os coroas, já tivemos nossos carnavais e não devemos reclamar. Concordo com ela, apesar de discordar do excesso de animação que anima foliões a encherem a cara de álcool e de drogas pra saírem por aí com cara de zumbi maquiado pra fazer xixi e otras cositas más nas praças, nos canteiros, nas areias, em tudo quanto é canto. Este ano, pelo que li, o vandalismo melhorou. Com certeza por efeito da campanha da Globo, que botou seu poderoso e monopólico bloco na rua com aquela marchinha ... Mais detalhes

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Sobre a Anna Ramalho

Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense, é colunista e cronista. Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 33 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”. Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.

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