por Germana de Lamare
Quando Eduardo enterrou a sua mulher uma semana depois foi ao aeroporto se despedir dos filhos que moravam nos EUA. Ficou absolutamente só. Há muito os dois garotos haviam ido estudar numa Universidade americana e decidiram após formados ficarem por lá. A distância afastou o casal de qualquer intimidade com as noras e netos. Mal os conhecia. Sua mulher não gostava de viajar e ele preferia lhe fazer companhia. Por muito tempo se bastaram.
Agora com a morte da mulher Eduardo sentiu o peso dos dias vazios caírem sobre os seus ombros. Chorava muito à noite sozinho no escritório tendo somente seus livros, antes tão amados, agora totalmente mudos para lhe dizerem qualquer palavra de afeto.
Para amenizar a tristeza que o invadia desde cedo pela manhã com o primeiro café sem gosto e a geleia sem brilho num pão seco, resolveu começar a andar pelo centro da cidade em busca de ruídos múltiplos para apaziguar o silêncio de suas horas em casa. Gostava de andar pela calçada em frente ao Museu de Belas Artes e da Biblioteca Pùblica, onde nos seus tempos de jovem se refugiava para estudar textos de direito quando era pobre e sem esperança de uma profissão de sucesso. Depois ficou rico e aposentou-se com muito mais realizações do que imaginava no seu currículo. Eram tempos que haviam acabado e que somente agora se dava conta de quanto haviam sido importantes. A mesma frase que havia ouvido tantos anos do pai. Talvez também do avô.
Certa tarde resolveu sentar no Amarelinho, bem no centro da Cinelândia e ficar olhando o Teatro Municipal. Quantas vezes havia levado a mulher para ouvir concertos de cordas e pianistas que ela tanto amava. Sentado numa das mesas viu seu olhar se perder na fachada do teatro e imaginar-se sentado lá dentro com o braço apoiado no seu colo. Não viu um amigo sentar-se ao se lado e perguntar: “ Eduardo você por aqui?”. Era uma colega de faculdade que não via há anos. Logo começaram a conversar sobre aquela época, recordar os amigos e, claro, falar das antigas namoradas.
De repente o amigo que parecia informado de tudo e todos perguntou se ele voltara a ver Amanda, sua paixão por cerca de uns dois anos. Eduardo se surpreendeu e lembrou-se daquela moça loira de olhos azuis que o havia fascinado e tirado algumas noites de seu sono no passado. Nunca mais a havia visto. Para ser sincero nem sabia se ainda estava viva.
O amigo respondeu que estava viva mas tinha enviuvado há alguns meses. Morava num bom apartamento no Flamengo e seu sobrenome agora era Azevedo. “ Você não sabia?”
Eduardo balançou a cabeça negativamente e ficou olhando para o amigo sem entender bem a sua intenção. Passaram-se dias até que Eduardo entendeu o recado. Puxou o cartão do bolso que ele havia lhe dado e no meio da balbúrdia do centro acabou pedindo ao amigo o nome completo do marido de Amanda. Foi fácil achar o telefone. Difícil foi ligar. Levou mais de uma semana subindo e descendo as ruas do centro, pensando, fazendo e desfazendo frases e perguntas até que numa tarde, logo depois do almoço, tomou coragem e ligou. Gaguejou um pouco ao se apresentar, mas do outro lado só ouviu uma voz que lhe soou bem familiar: “Eduardo? Não acredito que estou lhe ouvindo, há quanto tempo!” Ele sentiu as pernas amolecerem e teve de puxar uma cadeira até conseguir respirar fundo e continuar a conversa que duraria ainda por muitos anos.
Germana de Lamare é jornalista e psiquiatra








por Angela Dutra de Menezes
Como não falar das passeatas? A emoção de assistir, no centro do Rio de Janeiro, milhares e milhares de pessoas prot...
por Dafne Grozovsky
Pode não ser tão charmosa quanto a nova cave – recém reformada – da La Grande Épicerie do Le Bon Marché mas é um para...
por Pedro Nonato
Situada ao Sul da França, Cannes é um balneário de ricos e famosos (e também de classe média) às margens do sempre vivo azul...
por Octavio Caruso
Estou orgulhoso do povo brasileiro. O acréscimo dos vinte centavos (por essa os políticos não esperavam) foi um presente que ...
por Anna Ramalho
Creio ser desnecessário dizer que não sou governista e muito menos petista. Votei em Lula lá, naquele tempo em que ele era a esperança de vencer o medo, e me arrependi amargamente. Discordo do governo de Dona Dilma como um todo e me revolto diariamente quando penso nos 39 ministros e naquela base aliada de quinta categoria, na omissão diante dos gravíssimos problemas do país, naquele ar que ela tem de deixa que eu chuto ( perfeito, nesses dias de bola rolando na Copa das Confederações) e, principalmente, na sua subserviência a Lula da Silva. Já disse aqui – e repito – que o Brasil Império teve a regênci...
por Anna Ramalho
Quem disse que Punta só é bacana no verão está redondamente enganado. O balneário mais chique e internacional da América do Sul é atrativo o ano inteiro, com suas bucólic...
por Luis Pimentel
Cantor, compositor e percussionista, Joca Perpignan é carioca, mas fez carreira musical toda fora ...
por Daniele Barbosa
No Brasil, o hipotireoidismo – disfunção da tireoide, glândula localizada no pescoço, que diminui a produção natural ...
por Marina Sprogis
O charme do jardim entre a casa da família Vuitton - em Asnières desde 1859 - e o novo ateliê renovado em 2005.
As tra...
por Olga de Mello
O mercado editorial se divide em antes e depois de Harry Potter. A série do bruxinho, voltada para o público de 12 a 16 anos, c...
A Copa das Confederações 2013 serviu de inspiração para o restaurante Terra Brasilis, localiza...
A Cavist recém-inaugurada no Shopping Village Mall, na Barra da Tijuca, é a quarta do Grupo de re... 


