por Anna Ramalho
Dia desses uma amiga do Facebook fez um comentário que realmente curti – como é de lei naquele espaço criado por Mark Zuckerberg e que todos ( ou quase todos) freqüentamos alegremente. Dizia ela que é pura ranzinzice dos mais velhos implicar com os blocos que invadem o Rio de Janeiro nesses dias de folia, que afinal nós, os coroas, já tivemos nossos carnavais e não devemos reclamar. Concordo com ela, apesar de discordar do excesso de animação que anima foliões a encherem a cara de álcool e de drogas pra saírem por aí com cara de zumbi maquiado pra fazer xixi e otras cositas más nas praças, nos canteiros, nas areias, em tudo quanto é canto.
Este ano, pelo que li, o vandalismo melhorou. Com certeza por efeito da campanha da Globo, que botou seu poderoso e monopólico bloco na rua com aquela marchinha do xixi cantada pelas celebridades à mão. A gente sabe que o povão diz amém a tudo o que a emissora propõe: da recordista de audiência Fina Estampa – das piores novelas da história da TV em todos os tempos – ao programa da Ana Maria Braga, aquele luminar da civilização moderna, passando pelas baixarias inenarráveis do BBB e a mesmice espetaculosa do Fantástico, o verdadeiro epitáfio da semana de todos os brasileiros do Oiapoque ao Chuí. Mas o fato é que a campanha ajudou na guerra aos mijões. Plim plim!
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Foram inesquecíveis os carnavais da minha mocidade. Como estarão para sempre na minha memória os salões do Hotel Higino, na Teresópolis pré Mario Tricano ( o prefeito que arrasou a cidade), a orquestra tocando Mulata Bossa Nova, A Cabeleira do Zezé, Bandeira Branca, As Pastorinhas, Máscara Negra, O Trem das Onze – “quais, quais, quais, quais, quais, quais”! Era o auge das nossas férias de verão e o começo de sua despedida. Na terça-feira Gorda, quando a orquestra mandava ver a Cidade Maravilhosa, marcando o fim do baile, a turma saía da festa completamente jururu rumo a nossa casa, no Alto, onde o par de sapos nos esperava ao luar, ao pé da escada da varanda. Todos suados e tristíssimos com a certeza de que a farra estava no fim, que dentro de poucos dias todos voltariam às suas casas no Rio e, depois, folia igual, só no outro carnaval.
Mamãe e a Tia Milly, mãe da Rosana, que era a maior amiga da minha irmã Bel, tomavam conta daquela turma de meninas lindas, sempre fantasiadas em grupo, de olho pra que nenhum gavião se assanhasse muito: Regina Martelli, Tânia Grego, Katia Nunes Machado, Eliane Bacêllo, a saudosa Lili. Mais a turma de Terê: os irmãos Pingarilho, César e João Luiz, as meninas Travassos – Patrícia, inclusive – o Flávio, o Pancho, o Ulysses, o Felipe, o Henry, a Sonia e a Norma Couri, a Tininha... O Higino tinha uma boate, que atraía os mais safadinhos, e mamãe e tia Milly viviam de olho para que nenhuma das suas meninas fosse atraída pra lá. Lembro tanto um ano, todas vestidas de cigana, e um rapaz, de sarongue, paquerava a Lili que sambava em cima da cadeira. Lá pelas tantas, irado com a falta de atenção que ela lhe dedicava, o gostosão apelou: “Vem, merda, vem!!!!” Até mamãe riu da cena. Foi hilária mesmo.
A bela Katia gostava muito de esnobar seus pretendentes. Fazia-o, sempre que tocava Máscara Negra, dando especial ênfase aos versos “mais de mil palhaços no salão...”, geralmente cantada na cara do bonitão que estivesse na paquera. Eu, que sempre fui de sofrer as mágoas do amor, namorava o Felipe, que aprontava todas, o que me causou lágrimas sem fim em dois ou três desses carnavais. Ele gostava muito era do “vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval!!!” . Beijava de manhã e sumia de noite nas “patifarias” da boate. Saudade boa.
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O carnaval mudou e eu também. Hoje não tenho mais nenhuma vontade de ir a bailes e até o desfile das escolas já deu pra mim. Prefiro ver de casa, pela televisão, curtindo os comentários de meu amado amigo Haroldo Costa, que sabe tudo de samba e de muito mais. Aliás, a convite dele, participei da minha única função carnavalesca neste 2012: fui jurada do concurso de fantasias no Jockey Club. Foi bom e ... that’s all, folks!
Bom carnaval pra quem gosta e até a semana que vem.
Que tal Máscara Negra, do imortal Zé Kéti, com o moderníssimo Monobloco? De quebra, Mulata Bossa Nova, do João Roberto Kelly.
Anna Ramalho é colunista do Jornal do Brasil, criadora e editora do site www.annaramalho.com.br e cronista sempre que pode.








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