Letras carnavalescas

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por Olga de Mello


Há quem se guarde para quando o Carnaval chegar, como cantava Chico Buarque, mas em sentido bem diverso da letra do samba. São os que preferem sossego, mantendo uma distância razoável da folia. Poderiam ser o público-alvo das sugestões desta semana, mas elas também compreendem os que vão se recostar numa rede, entre um bloco e outro, aproveitando para revigorar corpo e mente com uma leitura relaxante. Sob o reinado de Momo, vale mesmo é usufruir do maior feriadão do ano, voltando ao batente apenas na última segunda-feira de fevereiro, quando, enfim, se inicia 2012.

 

  • Por favor, cuide da Mamãe (Intrínseca, R$29,90), da sul-coreana Kyung-Sook Shin, é um daqueles livros dos quais não queremos nos separar nem para tomar banho, mesmo morando nos trópicos! Cheguei a acordar de madrugada e pensei, seriamente, em continuar acompanhando a saga de uma família em busca da mãe interiorana, desaparecida na estação de metrô de Seul, quando vai visitar os filhos. Best-seller que já vendeu mais de 1.5 milhão de exemplares em 23 países, trata da vida moderna, de adultos dedicados a carreiras e ao trabalho, preocupados com uma idosa que sofreu um derrame e que tentou não ser um fardo para os filhos.
  • Os Imperfeccionistas (Record, R$ 42,90),  estreia do jornalista  Tom Rachman como escritor, é quase um romance formado por diversos contos. Cada capítulo traz um protagonista diferente, tratando de seus problemas cotidianos, maiores do que o possível desemprego que cerca todos os personagens, interligados pelo jornal em decadência onde trabalham.
  • Clássicos transcendem épocas com reflexões sobre situações que atravessam os tempos. Lançado em 1666, A Letra Escarlate (Bestbolso, R$  17,90), de Nathaniel Hawthorne, fala de sexo, desejo, amor e preconceito através do padecimento de uma adúltera repudiada pela sociedade puritana. Algo que ainda ocorre em diversas partes do planeta.
  • A busca pela notoriedade numa sociedade hipócrita é a linha mestra de A Festa do Século (Bertrand Brasil, R$ 39), de Niccoló Ammanti, que já ganhou o Strega, o principal prêmio literário da Itália. Neste romance, uma seita satanista consegue entrar na festança de inauguração da casa de um empresário exibicionista, que reúne entre os convidados artistas, jogadores de futebol e candidatos a celebridades.
  • Especialista em Filosofia e História, Roger-Pol Droit propõe em Um passeio pela Antiguidade: na companhia de Sócrates, Epicuro, Sêneca e outros pensadores (Difel, R$  29,90) a retomada do estudo dos clássicos, que foi praticamente abandonado há 50 anos. O livro é uma introdução às ideias de autores que são a base do pensamento ocidental em campos tão diversos quanto a arte, a medicina, a política e a filosofia.
  • Chick lit que se preza quer apenas divertir o público enquanto a protagonista corre atrás do amor de sua vida. Qual Seu Número? (Novo Conceito, R$ 29,90) não foge à regra, mas Karyn Bosnak consegue montar um enredo divertido em torno de uma balzaquiana insegura quanto às possibilidades de se casar um dia. O livro já foi adaptado para o cinema, com Anna Ferris no papel principal e o galã Chris Evans como um amigo perfeito para se tornar seu príncipe encantado.
  • Para os amantes do gótico, acaba de chegar às livrarias Surpresa do Além (Lua de Papel, R$ 29,90), de Charlaine Harris – a criadora da série True Blood. A jovem Harper Conelly, que, depois de atingida por um raio, desenvolve o dom de sentir a presença de mortos, e o irmão Tolliver encontram corpos de pessoas desaparecidas, quase todas vítimas de um mesmo assassino.

Olga de Mello é Jornalista, carioca, escreve para sites, jornais e revistas principalmente sobre cultura, que considera gênero de primeira necessidade.
Blogs: www.arenascariocas.blogspot.com e estantescariocas.wordpress.com

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Sobre a Anna Ramalho

Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense, é colunista e cronista. Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 33 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”. Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.

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