Stella Torreão

A falta que um médico de confiança faz

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por Stella Torreão


É cada vez maior a minha preocupação com o número de pessoas que não contam com um médico de confiança. Um clínico que conheça o seu histórico, os seus problemas, que doenças teve quando criança, que alergias apresenta, que medicamentos toma,  entre tantas outras  informações fundamentais para que uma pessoa seja tratada de forma correta. Essa é uma situação com a qual, diariamente, me deparo no Espaço.  Como não somos uma academia e sim uma clí­nica de atividades fí­sicas, é fundamental que tenhamos, quando necessário, um contato direto com o médico que cuida do aluno. E isso independe da idade do aluno. Temos desde crianças de seis meses a alunas com 90 anos e todos merecem de nossa equipe multidisciplinar muito cuidado e muita atenção, num trabalho extremamente humano, que valoriza a prevenção  e o cuidado com a vida.

Até alguns anos atrás, as pessoas ainda contavam com o médico e, antigamente, essa relação era ainda mais próxima. Era a época do médico de famíia. Afinal, o médico, muitas vezes, conhecia a pessoa no parto, que ele mesmo fazia, depois cuidava das cirurgias que fossem necessárias ao longo da vida e tratava ainda dos filhos, dos netos, era indicado aos amigos e a familiares que, por alguma razão, não tinham seus médicos de confiança.  É inegável que os avanços da medicina e a modernização da sociedade trouxeram uma série de benefícios mas, junto com eles,  veio uma situação em que o médico tem amplo conhecimento sobre as doenças, mas pouco, ou nenhum, conhecimento sobre o paciente. Hoje em dia, ainda mais depois da criação dos planos de saúde e da necessidade que a maioria tem deles, as pessoas acabam optando pelos médicos que possam atendê-las o mais rapidamente possível, de preferência perto de casa.

Não são  raros os casos em que precisamos encaminhar alunos que, muitas vezes, acabaram de nos procurar, para exames complementares, ou em muitos casos, até para hospitais para que passem por cirurgias. Pode até parecer exagero para alguns, mas é  a mais pura verdade. Eu e minha equipe priorizamos a saúde e, por essa razão, nosso exame médico é minucioso, feito por médicos competentes e nossas avaliações são completas e muito abrangentes, de forma que possamos conhecer o aluno e identificar, logo em um primeiro momento, um problema de saúde que já  exista ou que possa surgir. É  nesse momento que eu sinto mais falta do médico de família que trata daquela pessoa. Alguém para quem pudéssemos ligar, trocar informações e agilizar ao máximo o atendimento. Essa parceria entre o profissional de educação,  o  médico da academia e o médico particular do aluno é valiosa demais. Ela reduz caminhos, ela estreita laços e beneficia pessoas.O clí­nico, com o conhecimento que tem sobre os indivíduos, encaminha seus pacientes para as mais diversas especialidades e, claro, para médicos de sua confiança. Com isso,  temos a formação de uma rede de benefí­cios para cuidar do nosso bem maior que é a saúde.

A relação médico-paciente é fundamental para a nossa saúde, para o nosso bem estar e para a qualidade de vida que almejamos. E é por essa  razão que eu estimulo, aconselho e valorizo a existência de um médico de confiança na vida de cada um de meus alunos. Pensem nisso! Busquem  informações, procurem médicos indicados, capacitados, se apresentem, contem suas histórias, faça seus exames e deixem que eles cuidem de  você. A sua saúde agradece.


* Stella Torreão é professora de educação física e Embaixadora do Rio de Janeiro no segmento Saúde

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Sobre a Anna Ramalho

Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense, é colunista e cronista. Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 33 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”. Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.

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