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O vinho, seus apetrechos e o design

por Reinaldo Paes Barreto


Durante muitos séculos, o vinho variou pouco. As garrafas ou eram longilíneas, tipo bordeaux, ou “fradinho”, tipo bourgogne. Os saca-rolhas eram os clássicos, os decanters idem e o que variava bastante eram os copos. Sobretudo os de luxo.

Esses, sim: pareciam “concurso de cristal” — ou um caleidoscópio de cores.

Depois, vieram os rótulos artísticos – rótulos-discursos. O V da vitória em 45 (vitória na Segunda Guerra) ou o clássico Picasso, em 73.

Mas tudo muito aos poucos — e só para vinhos raros e caros. 

Hoje tudo foi redesenhado. Boa parte dos apetrechos do vinho ganhou forma e cores novas. Nem sempre práticas, mas esteticamente vibrantes. E a preços possíveis. 

DECANTER

Um apreciador de vinhos não pode deixar de fazê-los respirar num desses recipientes de areação e filtro. Mas não há quem não se “emocione” com um cisne desses…

Porque muito mais do que o charme, a função do decanter é proporcionar ao líquido uma oxigenação por igual e uma acomodação da temperatura. Antigamente, havia uma segunda função muito importante: “identificar” alguma sujidade – rolha, borra – a ser filtrada antes de ser servido o precioso néctar. Hoje, a maioria dos vinhos são filtrados. Mas, pasmem … os adeptos dos orgânicos e biodinâmicos ainda garantem que o vinho se desestressa melhor num decanter — si non è vero…

Termômetro

Há vários tipos: a pulseira em torno da garrafa e um futurista, a laser e infra-vermelho, que mostra a temperatura da garrafa ou do copo a dez centímetros de distância! Ou seja: você aponta o termômetro e o visor declara: tantos graus!

E qual a vantagem deles todos? Controlar a temperatura do vinho ao longo da degustação. Porque uma coisa é abrir a garrafa, enfiar um termômetro e conferir se a temperatura está adequada. Outra, é checar à medida que se vai bebendo — bem devagar, se possível — se a temperatura vai subindo, o que ocorre sempre (salvo numa estação de esqui, de madrugada!).

Em geral, sobe mesmo. E aí é que entra a segunda providência: recolocar a garrafa no balde de gelo, ou abraçá-la com com/em um “rapid ice”.

Adega doméstica

Ah! Nada de caixotinho ou um “xadrez” embaixo de um móvel. Vejam, por exemplo, o charme desses simples e práticos modelos domésticos:

Mas isso para os vinhos de todo dia — do uso imediato. Um enófilo com um mínimo de brio, adquire uma adega climatizada, para os vinhos de guarda.

O importante é que os vinhos tenham uma casa, dentro da sua. Lá, não só a temperatura e umidade são controladas, quanto — muito importante — eles estão a salvo da luz e da trepidação (da porta de uma geladeira, por exemplo). Nem que seja para apenas 12 garrafas.

Vinho é como gato, coruja e saudade: gosta do escuro e pouco barulho!

Finalmente, recomendo pequenos coadjuvantes: CDs com músicas para se ouvir sorvendo um bom vinho (sons de mar batendo suavemente na pedra, chuvas de outono, vento leve contra a vidraça), sejam eles espumante ou tranquilo. Guardanapos que reproduzem vinhas, colheita, garrafas… E se você for realmente um high-tech contemporâneo, um iPad com as anotações das safras, uvas, etc.

Voilà.

Mas, o mais importante é a sua atitude: experimente sentar-se com uma taça na mão, em casa, no seu canto preferido, sorvendo um branco com personalidade ou um tinto sem musculatura de atleta e — de repente — sentir-se O CENTRO DAS DESATENÇÕES.

É uma delícia.

E brinde (bem baixinho) aos seus queridos.


Reinaldo Paes Barreto

Diretor Institucional do Jornal do Brasil

http://jblog.com.br/reinaldo.php

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