O vinho verde é verde?

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por Reinaldo Paes Barreto


Não. 
A palavra “verde” não tem nenhuma ligação com a maturação das uvas nem com a cor do vinho. Ou seja, não se pense que as uvas que produzem o vinho verde são colhidas não-maduras. Elas são colhidas maduras e depois do processo natural de vinificação engarrafas no ano seguinte. O vinho verde branco é tão palha, amarelo-âmbar ou dourado quanto qualquer maduro, como nessa garrrafa e taça de Casal Garcia

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Obs: pelo menos no Brasil, o Casal Garcia é "a cara" do vinho verde branco.

Em compensação, verde é o manto que cobre esse vasto território do noroeste de Portugal, descendo pelas serras, cobrindo os vales e que se estende até o mar. Verde e azul (o verde não é, afinal, a síntese do azul com o amarelo -- a luz do Minho?)

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De Melgaço ao Vale de Cambra, de Esposende até as montanhas que anunciam a proximidade de Trás-os-Montes, varia o relevo, alteram-se as paisagens agrícolas, mas o verde impõem-se com a marca cromática da região.

Segundo, “vinho verde” é uma denominação de origem, que foi criada em Portugal em 1908, para identificar os vinhos jovens produzidos no noroeste de Portugal. Hoje eles são certificados pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) que lhes outorga o selo de Denominação de Origem (DO) ou Indicação Geográfica (IG).

Essa geografia é a que se espalha da chamada região do Entre-Douro até lá em cima, no Minho. (Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção, Paiva e Souza

Os vinhos verdes podem ser brancos, rosés ou tintos – tranqüilos (?) ou espumantes.
E as principais castas brancas, são: Alvarinho, Arinto, Avesso, Azal, Loureiro e Trajadura e as tintas, Alvarelhão, Amaral, Espadeiro, Padeiro e Vinhão.

E qual, então, a diferença essencial entre um vinho verde e um vinho não-verdes?

Devido às características das regiões de origem, os vinhos nelas produzidos têm uma concentração grande de ácido málico, o que faz com que a fermentação não termine na vinificação, mas continue. E como um dos ingredientes dessa fermentação é o ácido carbônico, o vinho apresenta o que os produtores e enólogos chamam de “agulha”, algo que lembra na boca as bolhas de um espumante.

Mas vamos ao Minho, pátria do vinho verde, da alegria simples e das "cachoupas" bailando o vira. E das festas religiosas. E da casinhas de pedra.

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Mas também das turbinas eólicas

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que é o Portugal século 21.
E, na outra ponta a imagem de um velho senhor que é o Grão Mestre da confraria dos Vinhos Verdes.

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Que é o Portugal do século 19. E ambos se deram as mãos para criar a identidade nacional.

Mas voltemos ao Minho. Lá, em Monção, visitamos a PROVAM (Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção) acompanhados pelo enólogo José Domingues, seguida de uma degustação dos “ícones” do produtor: Porta do Fidalgo e Côto das Mamoelas.

A seguir, jantamos no restaurante Sabores, comida típica: salmão com feijões verdes (sempre o verde!), flor de poejo ao molho de mel e alcaparras, bochechas de porco preto com arroz de açafrão e redução de vinho Madeira (Sercial) com grelos salteados. Tudo isso escoltado pelo Vinha Antiga e Portal do Fidalgo.

E hospedagem no Hotel Convento dos Capuchinhos -- uma noite mágica.

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É uma construção do século 18 debruçada sobre o Rio Minho, com o claustro, a Fonte dos Frades, o bosque anexo e um conforto excepcional, reunindo um conceito de "hotel rural" histórico de matar de inveja as nossas pousadas em Ouro Preto, Tiradentes, Paraty e Olinda.
Nada que chegue perto.

Recomendo: quem for a Monção, no Minho, hospede-se no Hotel Convento dos Capuchos (+351-251 640 090)

Termino com o rosto "naive" de uma pequena minhota!

que parece uma tela de Renoir.

Bem haja!
Observação: esse é o segundo blog dedicado à nossa viagem a Portugal por iniciativa da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria e convite da AICEP e do ViniPortugal.

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Reinaldo Paes Barreto

Diretor Institucional do Jornal do Brasil

http://jblog.com.br/reinaldo.php

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Sobre a Anna Ramalho

Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense, é colunista e cronista. Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 35 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”. Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.

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