Reinaldo Paes Barreto

A uva é Shiraz ou Syrah?

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por Reinaldo Paes Barreto


Tanto faz, é a mesma uva soberba!

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Em 2002, pesquisadores franceses encontraram um jarro contendo uma crosta amarela-castanho claro, o que poderia (?) indicar a presença de ácido tartárico (na natureza só encontrado nas uvas, o qual passa para o vinho) e da resina de terebentina (usado como conservante de vinhos na antigüidade).

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O que reforça a tese de que a uva Shiraz é uma das mais antigas cepas da história do vinho. Nasceu na antiga Pérsia, no sopé da Cordilheira de Zagros, há cerca de 6.000 anos atrás. E foi levada por cavaleiros-cruzados para o sul da França na época do império romano.

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Há quem diga que o vinho tomado por Cristo na Última Ceia foi produzido com Syrah.

É uma uva tinta majestosa, repito, que envelhece até por meio século e reina absoluta na região mais setentrional do Rhône. Donde os crus mais famosos serem elaborados com ela. O Côte-Rotie, o Saint-Joseph Hermitage, o Crozes-Hermitage, o Cornas e o Saint-Péray.

Ela entra também na elaboração dos vinhos do sul do Rhône, como o Châteauneuf-du-Pape e o Gigondas; mas não entra sozinha. Ela se mistura com a Grenache (principal uva-tinta da região), com a Mourvèdre, com a Marsanne e com a Cinsault.

Muito bem adaptada aos climas quentes, como é caso do sul da França, teve uma excelente adaptação em terras australianas, para onde foi levada em 1832 por James Busby . Hoje, os mais notáveis tintos da Austrália, como o legendário Grange (ex Hermitage), da Penfolds, é produzido com 100% de Shiraz (o australiano nunca se refere a ela como syrah).

Mas outros países também têm produzido bons vinhos com a Shiraz, como a Itália, a África do Sul, a Argentina, os Estados Unidos e o Brasil (em menor escala).

Crescendo bem em inúmeras áreas, produz vinhos complexos e distintos, escuros, alcoólicos e com aromas e sabores de especiarias. Apesar da boa presença de taninos -- o que lhe dá boa capacidade de envelhecimento -- são vinhos que podem ser bebidos jovens, também.

Os seus aromas e sabores mais presentes, são: pimenta-do-reino preta, frutas escuras (framboesa negra, groselha negra, amora), alcaçuz e, lá "atrás", gengibre e chocolate.

Aluns Shiraz apresentam um toque discreto de hortelã.

Sugestão: vamos deixar de lado -- pelo menos de vez em quando -- o "monopólio" dos Cabernet-Sauvignon, Merlot, Malbec, Carmenère e degustar um bom Shiraz.

Ou Syrah!


Reinaldo Paes Barreto

Diretor Institucional do Jornal do Brasil

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Sobre a Anna Ramalho

Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense, é colunista e cronista. Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 33 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”. Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.

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