Pedro Nonato

Cartier, sempre chic

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por Pedro Nonato


Desde sua inauguração em 1899 e mesmo após sua cuidadosa renovação em 2005, o ambiente permanece idêntico. Por essa razão, ao passar a porta de entrada da Cartier, ao número 13 Rue de la Paix, o cliente sabe: não está entrando em uma joalheria como as outras.

 

Aqui o ditado “os clientes são recebidos como reis” é a mais pura verdade já que, até os dias de hoje, as cabeças coroadas de impérios, reinados, principados e ducados e ainda as maiores fortunas do planeta aqui se cruzam: desde o Imperador Akihito a Roman Abramovitch, desde a Rainha da Bélgica aos novos bilionários de Shanghai.

 

A loja foi concebida como um apartamento do século XIX e quando inaugurada possuía a maior vitrine jamais criada em Paris e conta com móveis de época, como uma banqueta Louis XV, três imponentes lustres de cristal, lambris castanho claro e ainda uma escadaria majestosa com balaustradas de ferro batido idênticos aos da fachada.

 

Nos salões, ou mais exatamente nas saletas decoradas com fotos de modelos ilustres, vinte vendedores e seus assistentes atendem os clientes que continuam a requerer os serviços da maior joalheria do mundo para traduzir seus sonhos em peças exclusivas.

 

Em um dia normal, este paraíso da alta joalheria mantém em suas vitrines mais de 1000 peças únicas, exclusivas, sempre apresentadas em bandejas de couro vermelho e conta com um serviço de segurança discreto, mas onipresente.

 

No primeiro andar o escritório de Jeanne Toussaint permanece intacto – foi ela que ficou encarregada da Direção de Estilo quando Louis Cartier se aposentou em 1933 – como na época na qual ela desenhara peças excepcionais.

 

Contam que durante a Segunda Guerra Mundial, sob a ocupação Nazista da França a loja era obrigada a permanecer aberta sob pena de ser encampada, Jeanne foi presa pelo crime de ter desenhado um pássaro numa gaiola, que fora outrora símbolo da ocupação e que, levada pela Gestapo, deve a sua libertação à intervenção da uma amiga, ninguém menos que Coco Chanel.

 

Entre os dois andares há um enorme retrato de Louis Cartier e, no segundo andar fica o Atelier de Perfumaria – outra atividade da Maison por vezes esquecida – onde a extraordinária perfumista Mathilde Laurent compõe fragrâncias sob medida que vão realçar as personalidades dos felizardos clientes que as encomendam.

 

Em seu serviço pós-venda, gravadores, ourives e relojoeiros se concentram na manutenção e renovação de peças e, pertinho, no número 11 da mesma Rue de la Paix, nos ateliers da alta joalheria, só são fabricadas peças por encomenda e aqui não há entrada franca: apenas em ocasiões especialíssimas, como em exposições que estes trabalhos são mostrados.

 

 

Veja aqui o mais recente comercial da Cartier, “A Odisséia”:

 

 

Repare que o filme faz alusão aos países do BRIC: Brasil Com Santos Dumont), Rússia (com Moscou), Índia (com o Elefante) e China (com a Serpente/Muralha)– onde hoje estão os principais mercados e compradores da marca.


Pedro Nonato, Carioca e Parisiense

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Sobre a Anna Ramalho

Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense, é colunista e cronista. Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 33 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”. Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.

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