Paulo Roberto Direito

Cultura e Globalização

E-mail Imprimir

por Paulo Roberto Direito


Todos  sabemos, que o desenvolvimento de qualquer sociedade tem em si mesmo a proporção dos problemas da humanidade  em seu inesgotável processo de transformação criadora. A sociedade em que vivemos sente a perplexidade de um momento de grandes mudanças estruturais. O que todos pressentimos é a exaustão de soluções institucionais que não descobrem outros horizontes além da afluência. Mais que tudo, sentimos a incapacidade que os avanços da ciência e da técnica revelaram para construir a felicidade do homem.

 

Na verdade, o domínio do mundo pelo capitalismo, exacerbado pela globalização, que ganha terreno todos os dias, quantas vezes sorrateiramente, somente pode encontrar freio se voltarmos às origens do humano, isto é, se fizermos um retorno à natureza criadora do homem, geradora de cultura, criação do espírito.

 

Fazer cultura é aumentar os espaços para a humanização das sociedades, permitindo que a manifestação cultural seja a expressão da liberdade da pessoa humana, sem o que será impossível crescer qualitativamente. Crescer qualitativamente quer dizer avançar com padrão de vida sadio e suficiente para  que todos os homens tenham a possibilidade de viver dignamente.

 

Os estados organizados desse alvorecer do novo século não podem esquecer-se de acalentar, ademais do crescimento econômico, com prosperidade numérica, a esperança de abrir as portas de um indicador que a globalização , até agora, não tem apresentado. Refiro-me ao índice de desenvolvimento da felicidade do homem como suporte para o êxito dos investimentos que geram a riqueza material. O que podemos testemunhar é que uma sociedade não sobrevive com níveis razoáveis de felicidade se for organizada com critérios puramente técnicos ou científicos. É possível, neste campo, ir mais além. Uma sociedade que permita e estimule a realização do homem como pessoa deve, antes de tudo, valorizar os sentimentos  e fomentar aspirações.

 

O Estado, já sabemos essa lição de outros tempos, não pode substituir-se aos criadores de cultura, mas, sem sombra de dúvidas, cabe-lhe criar condições adequadas para a produção da cultura em todos os setores. E isso é possível quando se compreende adequadamente o papel da diversidade, teimosa, que não aceita nenhum tipo de padronização porque tal representa o domínio de uma cultura sobre a outra, um regime de dependência que é incompatível com a natureza livre do ser. Valorizar o ambiente cultural é valorizar a nação. É o passo essencial, para redimensionar o nosso tempo histórico, repensar os valores sociais, e reconquistar a plenitude de uma existência digna.

 

Somente a cultura pode impedir, pela consciência que faculta aos homens, que a sociedade caminhe para as sombras do grande irmão de Orwell, que, ameaçador é capaz de a tudo controlar. A cultura é a insubordinação contra qualquer ataque à liberdade do ser, e, portanto, contra qualquer tipo de dominação que não seja aquela da cidadania, com respeito ao direito de todos os homens e de cada um, nos limites máximos de sua ascensão na sociedade em que vive.


Paulo Roberto Direito

Diretor da Radice Produções Artísticas Culturais

Share/Save/Bookmark

Página 1 de 10

Amigos da Anna

Moynat: o luxo discreto da bolsa Moynat: o luxo discreto da bolsa por Dafne Grozovsky Até o ano passado ninguém tinha ouvido falar da marca Moynart. Mas a Maison ... Mais detalhes
Ninguém Esperava o “Monty Python”! Ninguém Esperava o “Monty Python”! por Octavio Caruso O tipo de humor realizado pelo grupo Monty Python está acima de qualquer avali... Mais detalhes
Cheques roubados podem dar dor de cabeça em dobro Cheques roubados podem dar dor de cabeça em dobro por Maria Clara Amado Prezada Clara, essa semana fui surpreendida com uma carta do 4º Ofício de ... Mais detalhes
A uva é Shiraz ou Syrah? A uva é Shiraz ou Syrah? por Reinaldo Paes Barreto Tanto faz, é a mesma uva soberba! Em 2002, pesquisadores franceses e... Mais detalhes

Crônica da Semana

A hora da verdade A hora da verdade por Anna Ramalho Quem está habituado a me seguir nesse cantinho das crônicas semanais sabe que Dona Dilma não é propriamente "my cup of  tea" - expressão inglesa que adoro e acho finíssima. Especialmente quando usada para falar de nossa presidenta, como ela gosta de ser chamada. Acho-a prepotente, malcriada, e todo dia agradeço a Deus pela bênção de não ter que cruzar com ela no meu dia a dia, como são obrigadas a Ideli e a Gleisi, por exemplo. Porém, nesses últimos dias, Sua Excelência conseguiu me comover com o discurso durante a instalação da Comissão da Verdade e me ... Mais detalhes

Na Estante

Mil Tons Mil Tons chegar, virou melodia (...) língua que inventa a saudade respira tons”, da canção que dá título ao disco... Mais detalhes

Comes & Bebes

6ª edição do Rio Restaurant Week começa em maio 6ª edição do Rio Restaurant Week começa em maio Um dos maiores eventos de gastronomia do mundo ocorre entre os dias 21 de maio e 03 de junho nos pri... Mais detalhes
Comemorando o primeiro aniversário Comemorando o primeiro aniversário A Cavist festeja um ano de vida no fim do mês e as comemorações já começam no dia 18, com um j... Mais detalhes

Blogs

Consumo e contracultura Consumo e contracultura por Olga de Mello Do mercado editorial brasileiro vêm notícias alentadoras ... Mais detalhes
Aquário e Urano no mapa Aquário e Urano no mapa por Cristina Gurjão Quando leio um mapa tenho especial atenção pelas posi... Mais detalhes

Twitter

annamramalho: Brasiiiiiiiiiiiiiillllll!!!!!!!!!! De Nova York, o amigo da cybercoluna Fernando Ornstein envia imagem que ... http://t.co/l307YIqt
annamramalho: Jazz democrático Mais uma edição do "SESI In Jazz Festival" acontece hoje (19), a partir das 1 http://t.co/TxZr57qs

Sobre a Anna Ramalho

Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense, é colunista e cronista. Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 33 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”. Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.

Acompanhe-nos

Twitter Facebook Orkut RSS-feed

>> Amigos da Anna Paulo Roberto Direito