Luís Pimentel

Informação desinformada

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por Luís Pimentel


Informação é caso sério. Quando correta e precisa, proporciona uma vitória na guerra. Errada, leva o cavaleiro a dar com os burros n´água. Umas podem desencadear o horror; gosto daquelas que despertam o humor, desinformadas, nebulosas, parecem conversa de malucos, mas não são. E deixam o solicitante mais perdido ainda:

– Essa rua aqui vai dar na praça?

– Depende.

Depende da praça ou da rua? Não me esqueço de uma conversa que ouvi, na infância interiorana e nordestina, entre minha mãe e um vizinho. Ela queixava-se dos preços dos alimentos, da carestia generalizada. E ele, querendo corroborar com os seus argumentos:

– Pois é, Dona Anisia. Ainda há pouco mesmo, alguém falou ali que não sei onde um tantinho assim de feijão está custando não sei quanto...

E ela:

– Pois é, isto é pro senhor ver.

Não tinha um dado, um número ou elemento precisos. Mas os dois entenderam e se entenderam.

Às vezes o desentendimento é que dá o tom da prosa, como esse diálogo entre dois colegas de trabalho. Um cochilava, o outro ouvia rádio. Diante da notícia bombástica do assassinato do beatle John Lennon, acordou o dorminhoco e disparou:

– Cara, mataram Paul Macáqui!

– Paulo Macaco? Em que morro?

– Morro nenhum, ignorante. Foi na Inglaterra.

Ouviu uma notícia e passou outra, não tinha uma informação correta. Mas nem por isso deixaram de se entender. E ficaram mais de meia hora falando sobre o assunto.


Luís Pimentel

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Sobre a Anna Ramalho

Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense, é colunista e cronista. Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 33 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”. Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.

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