Aleluia, Hildeberto

Em busca da máquina que pensa

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por Aleluia, Hildeberto


Faz tempo que o homem vem tentando fazer a máquina pensar como ele. Porém as façanhas conhecidas do grande público estão circunscritas à ficção científica. Mas estão muito além disso e mais perto da realidade do que podemos supor. Nos livros e nas telas são inúmeras as tentativas de fazer a máquina pensar como o cérebro humano. A mais famosa delas foi retratada no filme 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO, do genial diretor de cinema americano, o nova-iorquino do Bronx, Stanley Kubrick, em 1968. No filme, baseado na obra do escritor, também americano, Arthur Clarke, o computador de bordo da nave que leva uma equipe de astronautas ao espaço sideral tenta assumir o comando da navegação e passa a ignorar, solenemente, as ordens da tripulação. De repente, a máquina passa a definir os destinos da missão e opta por um brutal desfecho da viagem interplanetária.

 

O jornalista e escritor inglês George Orwell se tornou o mais conhecido futurologista do Século XX quando previa um hipotético Big Brother (Grande Irmão) hoje simbolizado por câmeras e computadores exercendo o papel de vigilantes da sociedade. Existe um sem-número de escritores com histórias fantásticas e mirabolantes escrevendo sobre a iminência do advento da máquina que pensa, na ficção. Nunca previram como isso seria possível no mundo real.

 

E essa realidade está mais próxima do que se imagina. E no meio de nós. Os cegos já estão aptos a navegarem com conforto e eficiência pela internet e podem realizar qualquer tarefa no computador através dos diversos softwares, gratuitos ou pagos, disponíveis no mercado e que obedecem ao comando de voz. Máquinas e robôs são programados para agirem de acordo com as necessidades do meio em diversos setores do conhecimento humano, indo da área da indústria automobilística, passando pela aviação e até mesmo pelo campo, onde os tratores dispensam a mão do homem. Nos Estados Unidos, esse é apenas um dos primeiros passos.

 

Usuais já são também os softwares de tradução imediata. Desde aqueles em que cola-se o texto e busca-se a tradução, passando por outros em que você vai escrevendo e ele vai traduzindo simultaneamente, até aquele outro em que a tradução é em cima do texto que aparece na tela, como o Google está fazendo com os sites. Localiza-se a página em uma determinada língua e clica-se para obter a tradução que é feita imediatamente em cima do texto original. Leva menos de 25 segundos para traduzir a página inteira. E numa qualidade espantosa.

 

Esta tecnologia já está disponível nos celulares. Você poderá falar em português e seu interlocutor do outro lado da linha irá ouvir na língua que desejar. E vice-versa. Da mesma forma que acontece com os serviços de buscas. Por enquanto somente no sistema Android, do Google, e para duas línguas. Mas logo estará disponível para todas as línguas. É nesta área que os cientistas, pesquisadores, programadores e estudiosos colhem os principais dados e informações que poderão levar à máquina que pensa graças a uma palavra enigmática: ALGORITMO. A mesma questão buscada por diversos navegadores tem respostas diferentes de acordo com o perfil e a personalidade do internauta registrada pelo computador e reconhecida por essa palavra mágica.

 

As ferramentas inimagináveis para cegos e tradutores surpreendem. E mais ainda as pesquisas  realizadas em diversas universidades americanas. Pesquisadores da Universidade Washington, em St. Louis, nos EUA, documentaram as reações de uma mulher com eletrodos sobre a região do cérebro responsável pela fala. Ela conseguiu mover um cursor na tela do computador apenas ao pensar em certos sons, sem pronunciá-los. Em outra interface entre o cérebro e o computador, com absoluto sucesso, foi permitido a uma outra mulher mover o cursor somente com o pensamento. A esse processo se referem utilizando o nome SINGULARIDADE TECNOLÓGICA. Na definição da Wikipédia, “trata-se de um evento histórico previsto para o futuro no qual a humanidade atravessará um estágio de colossal avanço tecnológico em um curtíssimo espaço de tempo”. Pelo jeito a Singularidade já está entre nós.

 

Ela, a Singularidade, é a palavra síntese que também define o sonho em que se origina o desejo do homem de fundir seu pensamento com a máquina, daí surgindo o que também é conhecido como Inteligência Artificial. Até filme sobre o assunto já foi feito em 2001, sob a direção do criativo cineasta americano Steven Spielberg, retomando um projeto deixado pelo colossal Stanley Kubrick sobre a possibilidade de existência de máquinas com sentimentos.

 

Todas estas novas descobertas estão fartamente documentadas na revista The New York Review of Books. Toda essa epopéia, tanto na ficção como na realidade, só está sendo possível graças ao mecanismo velho conhecido dos cientistas, matemáticos e engenheiros chamado de ALGORITMOS.


Aleluia, Hildeberto é jornalista

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Sobre a Anna Ramalho

Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense, é colunista e cronista. Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 33 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”. Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.

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